Mandato Score: como medir a saúde do gabinete sem depender de achismo
Publicado em 25 de agosto de 2026
Pergunte a um vereador se o mandato está indo bem e ele vai responder que sim. Pergunte como ele sabe e a resposta vira sensação: o telefone toca bastante, a agenda está cheia, o pessoal do bairro cumprimenta na rua.
Sensação é um péssimo indicador. Gabinete lotado pode ser gabinete afogado. Agenda cheia pode ser agenda mal escolhida. E o eleitor que cumprimenta na rua pode ser o mesmo que está há três semanas esperando retorno de um pedido.
O que o Mandato Score mede
O Mandato Score é uma média ponderada de cinco pilares da operação do gabinete. Cada pilar tem peso, e cada peso reflete o quanto aquilo pesa na percepção do eleitor.
- Atendimento de demandas, com peso 35: quantas foram resolvidas, quantas seguem abertas e quantas estão paradas há mais de 7 dias
- Atividade territorial, com peso 20: visitas registradas nos últimos 30 dias
- Prazos de ofícios, com peso 15: quantos ofícios estão vencidos entre os que seguem abertos
- Base de contatos ativa, com peso 15: interações registradas nos últimos 30 dias
- Produtividade legislativa, com peso 15: proposituras e ofícios produzidos em 90 dias
O atendimento pesa mais do que o resto somado a qualquer outro pilar isolado, e isso é proposital. Eleitor perdoa vereador que apresentou poucos projetos. Não perdoa quem prometeu resolver e sumiu.
Como ler o resultado
O score vai de 0 a 100 e cai em três faixas. De 75 para cima, o mandato está saudável e o trabalho é manter o ritmo. Entre 50 e 74, há pontos pedindo atenção. Abaixo de 50, vários indicadores estão cobrando ação ao mesmo tempo.
O número sozinho não serve para nada. O que resolve é o detalhamento por pilar, que mostra de onde veio a nota. Score 62 com atendimento em dia e território parado exige uma decisão diferente de score 62 com o território ativo e 30 demandas encalhadas.
Por que o score não inventa número
Gabinete recém-criado, sem dados, não recebe nota. O sistema mostra estado de onboarding em vez de fabricar um resultado que não tem base. Pilar sem atividade também sai da conta em vez de entrar como zero e derrubar a média injustamente. Quem não tem ofício aberto não é punido por prazo de ofício.
Essa transparência importa porque um indicador que ninguém entende vira decoração de tela. O vereador precisa conseguir abrir o painel, ver o número, e saber exatamente qual comportamento mudaria aquele número na semana seguinte.
O uso prático na reunião de equipe
O score funciona melhor como pauta fixa de reunião semanal. Abre o painel, olha os cinco pilares, e a discussão para de girar em torno de impressões.
Se o pilar de atendimento caiu, existe uma lista concreta de demandas paradas para distribuir. Se o territorial caiu, faltou rua. Se prazos de ofício estão vermelhos, alguém precisa cobrar retorno do Executivo hoje. A conversa deixa de ser sobre esforço e passa a ser sobre o que está travado.
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O número é consequência, não meta
Vale um aviso. Perseguir o score pelo score leva a gabinete que registra visita que não aconteceu e fecha demanda que não foi resolvida. Aí o indicador sobe e o mandato piora.
O score é útil enquanto for espelho. No dia em que virar meta de vaidade, é melhor desligar o painel e voltar para o achismo, que pelo menos é honesto sobre ser achismo.
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